Márcio Menezes, um empreendedor otimista

Atualizado: 2 de ago. de 2021


Mário Menezes é empresário do ramo imobiliário e um empreendedor diversificado.

Márcio Menezes é um empreendedor nato. Aos 18 anos, estava frente a frente com o piloto Emerson Fittipaldi em São Paulo para buscar a autorização da franquia da Hugo Boss para uma loja de roupas masculinas que montou em Erechim. Antes, o primeiro negócio tinha sido de semijoias em Porto Alegre. Entre idas e vindas, da Capital gaúcha para o interior do Rio Grande do Sul, se formou em direito, mas acabou no mercado imobiliário à frente da Mais Imóveis.

Não é o típico profissional que costuma puxar o freio de mão. Bem pelo contrário. Está sempre acelerando novas ideias e parcerias. Filho de tabeliães, teve que superar a morte do pai que culminou com o fim do cartório da família. Foi morar nos Estados Unidos onde conheceu pessoalmente, em um seminário que mudou seu mindset, Robert Kiyosaki, do Pai Rico, Pai Pobre, George Foreman e Donald Trump. Esteve na Olimpíada do Rio, como árbitro de Tiro Esportivo, esporte que pratica e apoia.

O terceiro entrevistado da Série sobre o Novo Normal do Cacocast, é acima de tudo um otimista. "Se cada um de nós tentar fazer o melhor, com certeza, rapidamente nós vamos sair deste buraco", acredita.


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Entrevista:

Caco da Motta (Porto Alegre) - Como é que tu estás lidando com esta nova fase difícil com os impactos da pandemia da Covida-19?


Márcio Menezes (Porto Alegre) - Como todo o brasileiro, estamos nos reinventando. Nós já temos este know-how porque, a cada 4 ou 5 anos, a gente tem uma estrutura modificada nos negócios seja politicamente ou economicamente. Eu tenho trabalhado muito em home office e tenho visto muitos clientes aumentando a carga de trabalho e aumentando a procura por investimentos e novos negócios. Eu vejo como um dos principais fatores a estabilidade da economia. O empreendedor brasileiro é um modelo para o mundo dá certo aqui e em qualquer lugar. O que não nos permitia nos reestruturar era a questão da condução econômica do país através da taxa de juros. O empreendedor quando ele inicia tem um sócio, não como aqueles do contrato social, mas teu sócio é o banco, o funcionário com passivo trabalhista e o governo com passivo de impostos. No ano passado, durante a pandemia, em 2020, só no Rio Grande do Sul foram abertas 196 mil empresas novas. Quer exemplo maior do que o empreendedorismo do povo gaúcho?


Caco - É a vontade de dar a volta por cima?


Márcio - Perfeito. Claro que teve empresário que acessou o Pronamp da Caixa que foi um dinheiro direto na veia do pequeno e do médio. Mas aí mesmo que está a criação porque o empresário não deixou a empresa quebrar. É óbvio que temos uma grande perda ainda, que tem muitos empresários que não conseguiram se reerguer. É preciso nos abraçarmos para o desenvolvimento do país, passando sobre esta questão muito filosófica e política que o país vive.


Caco - Eu tenho comentado que muita gente está vivendo uma espécie de atoleiro, caiu numa areia movediça e não consegue sair dela no meio desta pandemia. E se reinventar muitas vezes não é virar tudo do avesso, mas tentar encontrar uma maneira diferente de tocar o teu negócio.


Márcio - Perfeita a tua colocação. Eu acredito que estas novas tecnologias são ferramentas modernas. Eu recentemente palestrei para um grupo de empresários e alguém disse que iria fechar a loja. Eu disse, batalha até o último segundo pelo seguinte: nós somos seres que vivemos desta proximidade, ainda mais o gaúcho até pela cultura do chimarrão, do abraço. Um exemplo disso foi quando deram uma pequena brecha e os shoppings lotaram, as ruas lotaram. As pessoas querem isso. Então, estamos passando por uma dificuldade, temos que ter serenidade, as famílias e os empresários perderam, as famílias que perderam seus entes queridos mais ainda. Temos que prestar uma homenagem para estas pessoas.

Ninguém tem culpa nessa coisa, é uma doença. É diferente de um homicídio quando alguém vai lá e dá um tiro na pessoa. Eu lembro que perdi um colega com meningite e foi uma gritaria na escola porque naquela época era raro ter uma vacina. Todo mundo ficou assustado, fiquei uma semana em casa sem colégio, e depois fomos tomar vacina da meningite. É uma situação peculiar e violentíssima, mas o empresário tem que se adequar. Eu tenho amigos aqui em Porto Alegre da área de restaurantes que desenvolveram o próprio aplicativo. As empresas vão ter que se adaptar a esse novo momento. Mas eu tenho certeza que nós vamos voltar a um novo normal ou a algo quase normal. Tenho falado com pessoas na Europa e nos Estados Unidos. A Flórida, por exemplo, está tendo uma vida normal. Isso é uma coisa que temos que ter os pés no chão e a coragem de encarar daqui para frente.



Caco - Podes contar um pouco da tua trajetória profissional e das experiências que teve ao longo do tempo?

Márcio - Eu tive a oportunidade de ser filho de tabeliães. Meu pai é um cara simples de Canoas e que se dedicou a estudar quando jovem e foi aprovado no concurso para serviço notarial. Em 1974, quando nós fomos para o interior, para Erechim, eu tinha um ano e nove meses de idade e desde pequeno sempre tive oportunidade de ser privilegiado com a capacidade financeira dele. Eu sempre busquei ajudar as pessoas e empreender. Eu podia ter seguido a carreira, estudar para concurso notarial.

Mas, desde pequeno, eu tinha a veia de empreendedor. Com 16 anos, eu fui morar em Porto Alegre para estudar e montei uma distribuidora de semijoias, com aqueles mostruários de jóias com as vendedoras. Só que era um problema porque primeiro não estudava e depois era na base do bilhetinho que tinha o número de série, o código de cada correntinha, anel, etc. Fiquei um tempo nisso e o meu pai me disse: ou tu estudas ou voltas para o interior.

Decidi voltar para o interior para ter uma experiência empresarial na cidade. Voltei para Erechim e tra